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Potiguar mistura faroeste com sertão para compor visual no tiro com arco


Francisco das Chagas usa chapéu de cangaceiro nas competições
Para se protegerem do sol forte de Guadalajara, os competidores do tiro com arco fazem dos bonés peça essencial no uniforme do Parapan. No mar de chapéus de pano quase padronizados, uma peça de couro chama atenção. Na cabeça do potiguar Francisco das Chagas, a vestimenta se transformou em marca registrada e, de longe, anuncia que um nordestino está na briga por medalhas.
Vítima de um acidente de trabalho em uma fábrica de cerâmica, Francisco reencontrou no esporte a alegria de viver. Depois de experimentar a natação e o atletismo, conheceu o tiro com arco. Em resposta às piadas dos colegas de que o Nordeste não tinha arqueiros, o atleta decidiu aceitar a sugestão do treinador e adotou o chapéu típico nos torneios.
- O pessoal brincava que no Nordeste não havia arqueiros, que os últimos tinham sido os índios já extintos. Eu respondia que o tiro estava no meu sangue. Quando era garoto, assisti a muitos filmes de faroeste, e eu sempre torcia para os índios, nunca para os mocinhos. Minha bisavó era índia. Então meu técnico falou para usar algo que lembrasse a minha origem, e nada mais justo do que usar o meu chapéu de couro. Eu nasci na fazenda, e o usava muito quando precisava capinar, cuidar do gado.
Francisco, que é professor e já deu aulas para turmas do 2º ao 5º ano do Ensino Fundamental, hoje se dedica exclusivamente ao esporte. Apesar do apoio do governo através do Bolsa Atleta, o potiguar confessa que já pensou em largar a modalidade algumas vezes devido ao alto custo dos equipamentos.
- Já pensei algumas vezes em desistir porque, no nosso país, é muito difícil conseguir material. Mas hoje é um pouco melhor, existe o Bolsa Atleta, e o sonho de defender o Brasil é muito grande. Lembro do meu país, do meu povo, do sofrimento que há, e ergo a cabeça. Ainda vale a pena.
Nesta quinta-feira, Francisco precisa vencer o americano Russell Alan Wolfe para conquistar a medalha de bronze nos Jogos Parapan-Americanos de Guadalajara. Além dele, Patricia Layolle também disputa o terceiro lugar na categoria W2/ST.

fonte:globoesporte.com
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